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Emmanuel Macron sobe o tom com a China e ameaça a União Europeia com direitos aduaneiros à la Donald Trump

Homem sentado à mesa com bandeiras da UE ao fundo, apontando para gráficos entre dois carros em miniatura.

De regresso de uma visita oficial de três dias a Pequim, o Presidente francês elevou o tom contra a China e colocou em cima da mesa a hipótese de represálias comerciais - uma postura que faz lembrar, em vários pontos, a linha seguida pelo seu homólogo norte-americano.

Foi um Emmanuel Macron combativo que, este domingo, 7 de dezembro, falou ao jornal Les Échos. Depois de ter concluído uma visita de Estado junto de Xi Jinping, o chefe de Estado deixou um aviso claro: se Pequim não corrigir o desequilíbrio nas trocas comerciais com a Europa, a União Europeia acabará por responder. Entre as opções, Macron apontou para o recurso a direitos aduaneiros, numa lógica semelhante à estratégia que Donald Trump transformou em pilar da sua doutrina económica desde o regresso à Casa Branca.

“Estou a tentar explicar aos chineses que o seu excedente comercial não é sustentável porque estão a matar os seus próprios clientes, nomeadamente ao quase deixarem de importar o que quer que seja de nós”, afirmou o Presidente francês. A declaração espelha a irritação de Paris perante aquilo que considera ser um desnível extremo nas relações comerciais franco-chinesas.

Desequilíbrio comercial entre a Europa e a China, segundo Macron

Os números ajudam a perceber a dimensão do problema. O défice comercial de França com a China atingiu cerca de 47 mil milhões de euros no ano passado, segundo o Tesouro francês. Ao nível europeu, o excedente comercial chinês com a UE disparou para perto de 143 mil milhões de dólares no primeiro semestre de 2025 - um máximo histórico num período de seis meses.

Macron insistiu, sobretudo, no aperto em que a Europa se encontra. “Hoje, estamos encurralados entre os dois, e isto é uma questão de vida ou de morte para a indústria europeia”, alertou, classificando ainda a abordagem norte-americana face à China como *“inapropriada”*. Na sua leitura, a política tarifária agressiva de Washington terá agravado a situação europeia ao desviar para o mercado do Velho Continente produtos chineses que, de outro modo, poderiam ter seguido para os Estados Unidos.

O Presidente francês disse também ter abordado este dossiê com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. Ainda assim, admitiu um entrave relevante: a Alemanha - maior economia europeia e muito dependente das exportações para a China - não acompanha totalmente a posição defendida por Paris.

Paris e Pequim já sob tensão: veículos eléctricos e conhaque

Esta tomada de posição ganha ainda mais peso por surgir num contexto em que as relações entre Paris e Pequim já estão tensas. No ano passado, a França apoiou a decisão da UE de impor direitos aduaneiros sobre veículos eléctricos chineses. A resposta chinesa foi rápida: foram introduzidas exigências de preços mínimos para o conhaque francês e Pequim deixou no ar a possibilidade de alargar medidas a produtores de carne de porco e de produtos lácteos.

Emmanuel Macron, um Trump europeu?

Entretanto, do outro lado do Atlântico, as relações sino-americanas parecem, de forma paradoxal, estar a aliviar. Jamieson Greer, representante dos EUA para o Comércio, disse no domingo que a China tem respeitado, até agora, os termos dos acordos comerciais bilaterais, incluindo os compromissos de compra de soja. “Todos estes compromissos que acordámos recentemente com os chineses são muito concretos, podemos monitorizá-los facilmente e, até agora, verificamos que estão a ser cumpridos”, afirmou na Fox News.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, confirmou este sinal de evolução favorável e referiu que os preços da soja subiram 12 a 15% desde o entendimento com Pequim. No final de outubro, foi prolongada uma trégua tarifária entre Donald Trump e Xi Jinping, acompanhada por um abrandamento dos controlos à exportação e por uma redução de barreiras comerciais.

Com um certo toque de ironia, Emmanuel Macron escolhe uma retórica mais dura inspirada em Trump precisamente numa fase em que a administração norte-americana parece beneficiar de uma postura mais diplomática com Pequim. O Presidente francês fica, assim, numa posição sensível, ao recorrer a métodos que critica para tentar proteger os interesses industriais europeus.

Para lá do comércio, o chefe de Estado apelou a que o Banco Central Europeu ajuste a sua política monetária, dando mais peso ao crescimento e ao emprego, e não apenas à inflação. A mensagem sublinha que o confronto económico com a China não se resolverá só com direitos aduaneiros, mas também com um reforço mais profundo da competitividade europeia.

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