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Estudo da Northwestern University mostra que sons podem orientar sonhos para resolver puzzles

Pessoa sentada com dispositivo na cabeça e livro aberto, com ilustração digital de cérebro e peças de puzzle.

A ideia de “engenharia de sonhos”, popularizada por grandes filmes como Inception, de Christopher Nolan, pode afinal estar muito mais perto da realidade científica do que se pensava.

Investigadores da Northwestern University conseguiram levar voluntários adormecidos a sonhar com puzzles específicos ainda por resolver, recorrendo a determinados sons. E, quando os estímulos resultavam, esses participantes tinham maior probabilidade de encontrar a solução para os mesmos desafios depois de acordarem.

Apesar de existirem reservas importantes sobre o alcance desta abordagem, o trabalho sustenta que é possível influenciar os sonhos até certo ponto - e que isso pode produzir ideias úteis quando regressamos ao estado de vigília.

"Muitos problemas no mundo hoje exigem soluções criativas", afirma o psicólogo Ken Paller, da Northwestern University.

"Ao aprendermos mais sobre como os nossos cérebros conseguem pensar de forma criativa, pensar de novo e gerar novas ideias criativas, podemos estar mais perto de resolver os problemas que queremos resolver, e a engenharia do sono pode ajudar."

Como foi conduzida a experiência na Northwestern University

Na experiência, os cientistas recrutaram 20 participantes, a maioria sonhadores lúcidos - ou seja, pessoas que, com regularidade, conseguem aperceber-se de que estão a sonhar durante os episódios oníricos. A estes voluntários foram propostos puzzles difíceis, e cada puzzle tinha associado um acompanhamento sonoro específico.

Quando chegou a fase de sono do estudo, a equipa tentou influenciar o conteúdo dos sonhos reproduzindo as bandas sonoras correspondentes a metade dos puzzles que tinham ficado por resolver.

Em alguns casos, os voluntários deram sinais - como fungadelas ou movimentos oculares - para indicar que tinham ouvido o estímulo e que estavam a sonhar com os puzzles.

O que revelaram os resultados dos sonhos induzidos

Os resultados chamaram a atenção: os 12 participantes cujos sonhos foram alvo de estímulos relataram, na maioria das vezes, sonhos que incluíam puzzles. Entre esses 12, a capacidade de resolver problemas no dia seguinte subiu de 20% para 40%.

Considerando todo o grupo, com estímulos e sem estímulos, a taxa de resolução posterior foi de 42% para os puzzles que tinham surgido nos sonhos, contra 17% entre quem não tinha sonhado com os desafios. Era como se, durante o sonho, se tivesse avançado parte do caminho rumo à solução.

Além disso, depois de os participantes descreverem o que tinha acontecido nos seus sonhos, os investigadores identificaram indícios de que pensamentos sobre os puzzles estavam a “irromper” no conteúdo onírico - e de que a mente se concentrava em tentar resolvê-los.

"Mesmo sem lucidez, um sonhador pediu ajuda a uma personagem do sonho para resolver o puzzle que estávamos a estimular", diz a neurocientista Karen Konkoly, da Northwestern University.

"Outro recebeu o estímulo do puzzle das árvores e acordou a sonhar que caminhava por uma floresta. Outro sonhador recebeu o estímulo de um puzzle sobre selvas e acordou de um sonho em que estava a pescar na selva, a pensar nesse puzzle."

Limitações do estudo e próximos passos

Estas observações são relevantes, mas - como já referido - o estudo tem limitações. Para começar, a amostra foi relativamente pequena e centrou-se em sonhadores lúcidos, que tendem a ter maior consciência durante os sonhos; por isso, outras pessoas poderão não vivenciar o mesmo fenómeno com a mesma intensidade.

Além disso, podem existir outros factores que, em simultâneo, levem alguém a sonhar com puzzles não resolvidos e a conseguir resolvê-los melhor no dia seguinte. Assim, não é fácil afirmar com total certeza que os sonhos, por si só, tenham contribuído directamente para a resolução dos problemas.

Os autores esperam que investigações futuras tragam maior robustez às conclusões e querem aplicar a mesma estratégia para avaliar o impacto dos sonhos noutros tipos de criatividade e noutros tipos de problemas. Também poderá ser útil compreender com mais detalhe porque é que algumas pessoas respondem aos estímulos oníricos e outras não.

"A minha esperança é que estas conclusões nos ajudem a avançar para conclusões mais fortes sobre as funções do sonhar", afirma Konkoly.

"Se os cientistas conseguirem afirmar de forma definitiva que os sonhos são importantes para a resolução de problemas, a criatividade e a regulação emocional, espero que as pessoas passem a levar os sonhos a sério como uma prioridade para a saúde mental e o bem-estar."

A investigação foi publicada na revista Neuroscience of Consciousness.

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